Текст песни
Nasci num canto esquecido da cidade, onde o vento aprende a gritar,
onde promessa vira ferrugem e o futuro tenta escapar.
Cresci ouvindo que eu não seria nada além do peso do lugar,
mas todo profeta do fracasso treme quando me vê levantar.
Eu era só mais um rosto entre as sombras,
comendo dúvida no café, carregando culpas que nem eram minhas.
Aprendi cedo que o mundo dá aviso em enigmas,
então transformei cada dor em idioma, cada lágrima em disciplina.
Minha mãe dizia: “filho, caminha, mesmo que o chão cuspa espinho”,
e meu pai calado mostrava que silêncio também é caminho.
Fui entendendo que esperança não nasce — se cultiva sozinho,
e que a vida só respeita quem cava com as próprias mãos o próprio destino.
Um dia a queda veio pesada, sem pedir licença,
o tipo de golpe que desmonta até quem acredita na própria crença.
Mas foi ali, abraçando o chão com resistência,
que eu descobri que queda não é derrota — é semente da persistência.
E quando o mundo achou que eu tinha apagado…
foi quando comecei a acender.
REFRÃO (MEIO)
Eu caí, mas caí pra cima, porque o chão virou trampolim,
rasguei meus medos, refiz meu mapa, reinventei meu próprio fim.
Se a vida tenta me quebrar, eu devolvo virando marfim,
pois quem renasce da própria ruína nunca volta pequeno assim.
Voltei pro ringue da vida, sem plateia, sem favor,
sabendo que força não nasce no músculo — nasce quando a alma sente dor.
Pisei firme nas memórias que antes me davam pavor,
e percebi que coragem é só medo treinado com rigor.
Minha antiga versão tentou me puxar pelo calcanhar,
mas eu cortei as cordas com atitude de quem não quer mais parar.
Aprendi que promessa só vale quando você decide honrar,
e que destino é tijolo posto — um por dia — até a muralha levantar.
O tempo passou e eu cresci no silêncio,
ergui meu nome sem barulho, sem anúncio, sem vício.
E quem jurava que eu falharia hoje me olha com indício
de que o impossível sempre foi só um truque de precipício.
Quando subi no topo que antes parecia inalcançável,
não senti euforia — senti paz. Paz de quem entendeu o inevitável:
que tudo que é sólido se constrói no intervalo do insuportável,
e que o homem mais forte é o que cai… mas volta inquebrável.
REFRÃO (FINAL)
Eu caí, mas caí pra cima, porque o chão virou trampolim,
rasguei meus medos, refiz meu mapa, reinventei meu próprio fim.
Se a vida tenta me quebrar, eu devolvo virando marfim,
pois quem renasce da própria ruína nunca volta pequeno assim.
E hoje eu sigo inteiro, mesmo feito de cicatriz —
pois cada ferida virou verso, e cada verso me fez feliz.
Eu caí, sim… mas agora você sabe o que eu fiz:
transformei minha queda na história de alguém que sempre quis ser raiz.